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terça-feira, 25 de março de 2014

A Fortaleza do Tapajós

   O estabelecimento das missões religiosas tinha não somente o cunho social e religioso, mas também o político. Instalada uma missão na Amazônia, significava que até àquele local ia o domínio de Portugal. Cuidaram, então, os portugueses, de fortificar militarmente determinados pontos, considerados, na época, estratégicos. Franceses, ingleses, holandeses e espanhóis eram inimigos em potencial e convinha mantê-los a distância.
        Instalada a missão do Tapajós em 1661, trinta e seis anos depois era inaugurada a sua "Fortaleza do Tapajós".
        Francisco da Costa Falcão, português de grande fortuna, propôs ao governo de Lisboa construir fortificações pela Amazônia, à sua custa, sob uma única recompensa: a de ser nomeado comandante dessas fortificações, com o posto de capitão.
        A proposta de Falcão foi aceita, tendo este iniciado a construção do forte na aldeia dos Tapajós, em 1693. Morreu, entretanto, durante o empreendimento. As obras prosseguiram sob a administração de seu filho Manoel da Mota de Siqueira.
        A fortaleza Foi inaugurada, em 1697, embora não estivesse ainda totalmente concluída.
        Como recompensa por ter edificado três fortalezas, a de Óbidos, a do Paru e a do Rio Negro, e de terminar a de Santarém, deu, o rei de Portugal, a Manoel da Mota de Siqueira, o comando de um dos fortes, à sua escolha, por "três vidas", isto é, por três gerações. Siqueira optou pela de Óbidos.
        Entretanto, já em 1749, a fortaleza estava a exigir sérios reparos, conforme verificara o mestre de campo José Miguel Aires, em visita de inspeção.
        Em 1762, o governador Manoel Bernardo de Melo e Castro delegou poderes ao engenheiro Domingos Sambucetti para reedificar a fortaleza de Santarém.
        Cumprindo sua missão, Sambucelli projetou a nova fortaleza, construindo-a em pedra e cal, obra de grande resistência e solidez.
        Novas restaurações foram feitas em anos posteriores.
        A última tentativa de recuperação do forte deu-se em 1867, quando o governo imperial mandou o capitão-engenheiro Luiz Antônio de Sousa Pitanga realizar o trabalho. Ao mesmo tempo, enviou o imperador seis peças de artilharia, calibre 6, para serem colocadas na fortaleza. Os trabalhos, porém, não foram concluídos ficando os canhões no leito da rua do Príncipe, hoje Galdino Veloso (entre as Travessas dos Mártires e 15 de Agosto), lá permanecendo por quase um século. Em 1948, quando já estavam meio soterrados, dois desses canhões foram retirados do leito da rua  e encaminhados à praça do Centenário, onde foram colocados como ornamento. Posteriormente, mais dois foram retirados para "enfeitar" o aeroporto e os dois restantes, encaminhados à sede da FAO (hoje SUDAM), no bairro da Liberdade.
        Hoje, nem mais se vislumbra o que quer que seja do antigo forte, que desapareceu por completo.
        A "Fortaleza do Tapajós" ficava na colina onde hoje está a Escola Estadual de 1º Grau "Frei Ambrósio", cuja colina era chamada de "Morro do Castelo", depois "Morro da Fortaleza" ou simplesmente "Fortaleza", como é chamada em nossos dias.

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